Prevenção do suicídio: como acolher quem você ama

Published On: 10/09/2026

Todo dia 10 de setembro o mundo inteiro para para falar de uma coisa que a gente costuma calar dentro de casa. É o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, e ele existe justamente porque o silêncio em volta desse assunto já custou vida demais. Se você chegou até aqui, provavelmente tem alguém no seu coração agora. Uma filha, uma amiga, um irmão, um vizinho. Ou talvez seja você mesma quem anda carregando um peso que não cabe mais.

Olha, eu vou ser bem honesto com você neste texto. Eu não sou psicólogo nem psiquiatra, e a prevenção do suicídio não se faz com pêndulo nem com gráfico radiônico. Ela se faz com escuta, com rede de apoio e com profissional de saúde. O que eu tenho para te oferecer aqui, depois de mais de dez anos cuidando de gente cansada, é uma conversa sobre como perceber quem está sofrendo perto de você, o que dizer quando a pessoa se abre, onde buscar socorro na hora certa, e como cuidar de você que sempre foi o ombro de todo mundo e nunca teve um ombro seu.

O que é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

A data foi criada em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio, com o apoio da Organização Mundial da Saúde. A ideia era simples e corajosa: colocar na mesa um assunto que a sociedade sempre empurrou para debaixo do tapete.

Os números explicam a urgência. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo. É gente demais. E cada um desses números tinha nome, tinha cheiro de casa, tinha alguém esperando na cozinha.

No Brasil, o mês inteiro virou campanha em 2015, com o Setembro Amarelo, criado pelo CVV junto com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria. E as entidades que puxam a campanha repetem sempre a mesma frase, que é a razão de tudo isso existir: nove em cada dez casos podem ser evitados. Evitados com o quê? Com informação, com acolhimento e com ajuda profissional chegando a tempo.

Se você quiser entender o mês por um ângulo mais amplo, eu falo dele no artigo sobre Setembro Amarelo e o cuidado com a sua energia. Aqui a gente vai mais fundo num ponto específico: o que fazer quando o sofrimento tem nome e endereço perto de você.

Por que a gente muda de assunto quando o tema aparece

Repara numa cena que acontece todo dia. Alguém diz, meio de lado, meio rindo: “ah, às vezes eu penso que seria mais fácil sumir”. E a mesa inteira faz o quê? Muda de assunto. Alguém oferece mais café. Alguém fala do tempo.

Não é maldade. É medo. A gente tem pavor de dizer a coisa errada e piorar. Então prefere fingir que não ouviu, e vai dormir com aquele aperto no peito de quem sabe que ouviu.

Existe uma frase do Freud que eu cito no meu livro e que resume bem o custo desse silêncio: as emoções não expressas nunca morrem, elas são enterradas vivas e saem das piores formas mais tarde. O que a gente cala não some. Só muda de endereço dentro da gente.

Falar sobre isso aumenta o risco?

Essa é a confusão mais perigosa que circula por aí, e eu preciso quebrar ela com você agora.

Muita gente acredita que perguntar diretamente coloca a ideia na cabeça da pessoa. É o contrário. A Organização Mundial da Saúde e os manuais de prevenção são unânimes: perguntar de forma direta e acolhedora alivia. A pessoa que está sofrendo costuma estar sozinha dentro de um pensamento que ela acha que ninguém aguentaria ouvir. Quando alguém pergunta, o pensamento sai da cabeça dela e vira conversa. E o que vira conversa deixa de ser um segredo que consome por dentro.

Então sim, você pode perguntar. Com calma, olhando no olho, sem plateia: “você tem tido pensamentos de acabar com a sua vida?”. Parece brutal escrito assim. Na prática, é um alívio imenso para quem escuta.

Os sinais que pedem a sua atenção

Nem todo mundo avisa com palavras. Muita gente avisa com comportamento, e quase sempre avisa. O problema é que a gente só entende os sinais depois, quando alguém fala “mas ele andava tão quieto…”.

Preste atenção especialmente quando vários destes aparecem juntos e mudam o padrão de quem você conhece:

  • Isolamento novo. A pessoa que sempre respondia mensagem some, some do grupo, recusa convite atrás de convite.
  • Falar de si como um peso. Frases como “vocês ficariam melhor sem mim”, “eu só atrapalho”, “estou cansada de existir”.
  • Desesperança. Não conseguir enxergar nada bom nem daqui a um mês. O futuro some do vocabulário.
  • Despedidas discretas. Doar objetos queridos, organizar papéis, resolver pendências antigas do nada, mandar mensagens de agradecimento sem motivo.
  • Mudança forte no sono e na comida. Parar de dormir ou dormir o dia todo, parar de comer ou comer sem sentir.
  • Abandono de si. Largar o remédio de uso contínuo, largar a higiene, largar o que gostava.
  • Aumento do álcool ou de outras substâncias.
  • Uma calma repentina depois de um período muito ruim. Esse é o sinal que quase ninguém conhece, e é dos mais importantes. Quando a angústia dá lugar a uma serenidade estranha e sem explicação, pode ser que a pessoa tenha tomado uma decisão. Não relaxe nessa hora. Aproxime-se.

Faz sentido para você? Nenhum desses sinais, sozinho, prova alguma coisa. O que liga o alerta é a mudança: alguém que era de um jeito e virou outro, e ficou assim.

O que dizer para quem está sofrendo (e o que evitar)

Aqui vai a parte mais prática deste texto, e é a que eu mais queria que você guardasse. Você não precisa ter resposta. Você precisa ter presença.

O que ajuda:

  • “Como você está de verdade?” A palavra “de verdade” abre porta. Faça a pergunta e depois fique quieta.
  • “Eu quero entender. Me conta.” Escute sem interromper, sem consertar, sem comparar com a sua história.
  • “Que bom que você me contou.” Isso tira a vergonha de quem se abriu, e a vergonha é metade do peso.
  • “Eu estou aqui e não vou sumir.” Depois cumpra. Mande mensagem na quarta, ligue no sábado, apareça.
  • “Vamos procurar ajuda juntas?” Se ofereça para marcar a consulta, para ir junto, para esperar do lado de fora. O caminho até a ajuda parece intransponível para quem está sem energia.

O que machuca, mesmo com a melhor das intenções:

  • “Isso é frescura, você tem tudo na vida.” Sofrimento não faz conta de bens.
  • “Pensa nos seus filhos, na sua mãe.” Parece amor, chega como culpa. E culpa afunda quem já está afundando.
  • “Tem gente muito pior do que você.” A dor do outro nunca curou a dor de ninguém.
  • “É falta de Deus no coração.” Cuidado com essa. Fé é sustento, e eu falo de fé o tempo todo aqui. Mas usar a fé como cobrança afasta a pessoa justamente de quem poderia acolhê-la.
  • Prometer segredo absoluto. Se houver risco de vida, você vai precisar de ajuda. Diga com carinho: “eu vou ficar com você, e a gente vai procurar quem sabe cuidar disso”.

Onde buscar ajuda agora mesmo

Guarde estes contatos no celular. Não custa nada, e um dia pode valer tudo:

  • CVV: 188. Ligação gratuita, 24 horas por dia, todos os dias. O Centro de Valorização da Vida existe desde 1962 e é feito de voluntários treinados para escutar sem julgar. Também atende por chat e e-mail no site cvv.org.br.
  • CAPS. Os Centros de Atenção Psicossocial atendem de graça pelo SUS, sem precisar de encaminhamento. Procure o mais perto da sua casa.
  • UBS do seu bairro. A porta de entrada para o acompanhamento em saúde mental.
  • SAMU: 192. Em caso de risco imediato, chame. Não hesite, não espere passar.

E uma coisa que precisa ser dita com todas as letras: procurar ajuda profissional é um gesto de coragem, não de fraqueza. Precisa de humildade para reconhecer, precisa de força para dar o telefonema e precisa de amor próprio para sustentar o processo.

Mulher madura em casa segurando o celular no peito depois de pedir ajuda, imagem sobre prevenção do suicídio
Pedir ajuda é o gesto mais corajoso que existe. O 188 atende de graça, a qualquer hora.

E quando a esponja da família é você?

Agora eu quero sentar do seu lado, porque desconfio que boa parte de quem lê este texto é a pessoa que segura todo mundo.

Você é aquela que a família liga quando desmorona. Que escuta a filha às onze da noite, que administra o remédio da mãe, que percebe o silêncio do marido antes dele mesmo perceber. Você é o pronto-socorro emocional de uma casa inteira. E quem cuida do pronto-socorro?

Tem uma imagem que eu uso muito nos atendimentos e que serve aqui. Pense no aviso do avião: coloque a sua máscara de oxigênio primeiro, depois ajude quem está do seu lado. Não é egoísmo, é a única ordem que funciona. Desmaiada, você não salva ninguém.

Se você sente que sai de perto das pessoas mais pesada do que chegou, que dorme e acorda cansada, que anda irritada e depois culpada por ter se irritado, isso tem nome no nosso meio: sensibilidade sem borda. Você capta demais e não aprendeu a devolver o que não é seu.

Alguns cuidados que cabem numa rotina corrida:

  • Pergunte “isso é meu?” sempre que bater uma angústia sem explicação. Respire fundo três vezes e observe o corpo. A resposta vem rápida.
  • Tenha o seu ouvinte. Você também precisa de alguém para quem contar. Se não tiver, o 188 atende você também.
  • Marque uma hora que seja só sua na semana. Uma. Se você marca dentista, marca isso.
  • Ande dez minutos ao ar livre. Corpo parado acumula, corpo em movimento descarrega.
  • Diga um não por semana. Cada sim dado com o peito apertado cobra juros depois.

O que a energia tem a ver com a prevenção do suicídio

Aqui eu preciso ser rigoroso, porque esse assunto não admite promessa fácil.

A radiestesia radiônica é uma ferramenta de equilíbrio energético. Ela não diagnostica, não substitui remédio, não substitui psicoterapia e não substitui acompanhamento psiquiátrico. A prevenção do suicídio é território da saúde e da rede de apoio. Qualquer pessoa que te prometer outra coisa está te enganando.

O que a terapia holística faz, e faz bem, é caminhar ao lado. Nós somos seres multidimensionais: um corpo físico, uma mente que pensa, um campo emocional, um espírito e uma estrutura energética sustentando tudo isso. Quando um andar balança, os outros sentem o tranco. Cuidar da camada energética ajuda a pessoa a chegar no tratamento com o campo mais limpo, com mais disposição para sustentar o processo. Desde 2017 o Ministério da Saúde reconhece as práticas integrativas dentro do SUS, entre elas o Reiki e a meditação. Elas caminham junto com a medicina, cada uma no seu lugar.

Para quem é a cuidadora da casa, o cuidado energético tem um papel bem concreto: mostrar o que ficou impregnado no campo, devolver o que entrou de fora e reforçar a blindagem para não voltar tudo na semana seguinte. É disso que eu falo quando digo que a sensibilidade precisa de borda.

Um dos piores dias da minha vida

Eu não escrevo este texto de fora. Escrevo de dentro.

Numa sexta-feira de julho de 2016, minutos antes de subir num auditório com quatrocentas pessoas para abrir um projeto importante, eu resolvi checar o e-mail. Estava lá o resultado da biópsia: carcinoma papilífero. Descobri que estava com câncer segundos antes de pegar o microfone.

Naquele dia eu tinha certeza de que a minha vida tinha acabado. Eu vivia de terno e aeroporto, gerenciando projetos de governança corporativa, e não sabia nada de energia, de meditação, de radiestesia. Nada disso existia na minha rotina.

Eu conto essa história inteira no meu livro Seres Energéticos, no capítulo que se chama justamente “A Queda Antes do Despertar”. E conto o desfecho no último capítulo, “O Despertar Após a Queda”, onde escrevo uma frase que hoje sustenta o meu trabalho: um dos piores dias da minha vida se tornou o início do meu despertar, e uma das minhas maiores fragilidades se transformou na minha maior força.

Eu escrevo isso aqui por um motivo só. Quando a gente está no fundo, a dor mente sobre o futuro. Ela diz que vai ser assim para sempre, que não tem saída, que amanhã será igual. E ela está errada. O de dentro do buraco é o pior lugar do mundo para se avaliar o tamanho da vida. Por isso a gente precisa de ajuda para atravessar: porque quem está lá dentro não consegue enxergar sozinho a porta.

Se você está nesse lugar hoje, respira. Você não está errada, não está fraca e não está sozinha. Liga 188. Fala com alguém. Só isso, por hoje.

A meditação como pausa possível

De tudo o que eu já testei em mim e ensinei para outras pessoas, a meditação é a prática que mais mexe com a saúde emocional. Ela treina a mente a voltar para o presente toda vez que ela foge para o futuro. E não, você não precisa esvaziar a cabeça. Ninguém esvazia. Você só volta, com gentileza, quantas vezes for preciso.

Nos meus atendimentos ouvi muitos relatos de redução de insônia, de estresse e de ansiedade, sempre em paralelo aos tratamentos que a pessoa já fazia, nunca no lugar deles. Se você quiser começar hoje, eu deixei a Meditação de Conexão ao Eu Superior disponível de graça. Coloque um fone, escolha um canto tranquilo e se permita vinte minutos de colo.

Se o seu ponto mais sensível agora é a ansiedade ou a tristeza que não passa, dá uma olhada também no que eu escrevi sobre como acalmar a ansiedade sem remédio e sobre mindfulness no cuidado com a depressão. São dois caminhos que se completam, e os dois caminham ao lado do tratamento, nunca no lugar dele.

Um último recado, de coração

Se este texto te achou num setembro difícil, guarde só uma coisa: falar salva. Perguntar salva. Ficar salva.

Você não precisa ter as palavras certas para ajudar alguém. Precisa ter a coragem de não mudar de assunto. E se hoje quem precisa de escuta é você, o telefone é 188, funciona a qualquer hora, é de graça, e do outro lado tem uma pessoa que vai escutar sem julgar.

Escolhe uma coisa só para fazer hoje. Mandar aquela mensagem que você vem adiando. Ligar para quem anda quieto. Salvar o 188 no celular. É assim que a gente cuida uns dos outros, um gesto de cada vez.

E se você quiser mergulhar mais fundo nessa história de queda e despertar, no mapa das emoções e no que sustenta a gente por dentro, você pode ler o meu livro completo, o físico, com frete grátis para todo o Brasil, clicando aqui para conhecer. Escrevi ele para essa conversa continuar depois que você fechar esta página.

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Raphael Valente é Terapeuta Holístico, autor do livro Seres Energéticos, formado como Psicanalista e Espiritualista, Humanoterapeuta, especialista em Radiestesia Radiônica, Reiki, professor de Meditação e fundador do espaço terapêutico Via Energia. O profissional e sua empresa são credenciados junto à ABRATH – Associação Brasileira de Terapeutas Holísticos sob o registro CJAH-BR 15825.