São Miguel Arcanjo: o que fazer no dia 29 de setembro

Raphael Valente
Publicado em · Espiritualidade
Mulher em oração diante de uma luz dourada no dia de São Miguel Arcanjo

Todo ano, quando chega o fim de setembro, o meu WhatsApp enche da mesma pergunta. E ela vem sempre mais ou menos assim: “Raphael, o dia de São Miguel Arcanjo é agora, né? O que eu faço nesse dia?”. Então, gente, vamos combinar de responder isso com calma este ano, porque a resposta é mais bonita do que parece.

O dia 29 de setembro não é o dia de um arcanjo só. São três. Miguel, Gabriel e Rafael, juntos, na mesma data. E quando você entende o que cada um representa, percebe que eles não são três figuras soltas no céu. São três movimentos de uma coisa só, e são exatamente os três movimentos que faltam para quem vive cansada de carregar o que não é seu.

Neste texto eu te conto o que se celebra no dia 29, quem é cada um dos três, o que o céu desta semana tem a ver com isso, e um roteiro simples do que fazer no dia. Sem complicação e sem exigir que você seja de religião nenhuma em especial.

O que a gente celebra em 29 de setembro

A Igreja Católica celebra em 29 de setembro a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Nem sempre foi assim. Nos primeiros séculos, cada um tinha a sua data. Depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, os três passaram a ser lembrados no mesmo dia, e é por isso que hoje o 29 é uma data tripla, mesmo que a fama popular seja quase toda do Miguel.

Arcanjo, na tradição, é o mensageiro de mais alta hierarquia. A palavra vem do grego e carrega essa ideia de “o principal entre os anunciadores”. E repara numa coisa curiosa: os nomes dos três terminam todos em “el”, que é uma das formas de nomear o divino no hebraico. Eles não têm nome próprio no sentido que a gente tem. Eles têm nome de função.

  • Miguel carrega a pergunta “quem como Deus?”, que é a frase que ele lança na hora do enfrentamento.
  • Gabriel quer dizer algo como “força de Deus”, e é o que aparece nas cenas de anúncio.
  • Rafael vem de “Rafa-El”, que é remédio, cura, cuidado.

Guarda esses três sentidos, porque eles vão organizar tudo o que vem daqui pra frente: a espada, a palavra e o cuidado.

São Miguel Arcanjo: o da espada

O Miguel é sempre representado com a espada, e é justamente aí que quase todo mundo entende errado. A espada dele não serve para atacar ninguém. Ela serve para separar. É uma lâmina de fronteira, não de guerra pessoal.

Pensa numa coisa bem da sua casa: você volta da rua e lava a mão. Você não lava a mão porque a sua mão é suja. Você lava porque a mão pegou coisa no caminho. A espada do Miguel é isso, é a lavagem da mão no plano do invisível. É você chegando em casa depois de um dia inteiro no hospital, na casa da sua mãe, no aniversário da família, e dizendo: até aqui é meu, dali pra lá eu devolvo.

Se você é daquelas pessoas que sente tudo de todo mundo, que sai de uma visita exausta sem ter acontecido nada com você, é nesse arcanjo que mora o gesto que te falta. Eu escrevi um artigo inteiro sobre isso, com os 5 sinais de que o seu campo está pedindo proteção, e vale a leitura antes do dia 29.

Gabriel: o que anuncia

Gabriel é o arcanjo da palavra. Nas histórias em que ele aparece, ele chega e fala. Ele avisa. Ele nomeia uma coisa que ainda não tinha nome.

E olha que interessante para a nossa vida prática. Proteger o campo é metade do trabalho. A outra metade é conseguir dizer. Falar para a irmã que hoje você não vai. Falar para a filha que você ama, mas que não aguenta. Falar para você mesma, em voz alta, que aquele peso já não te pertence.

Boa parte das mulheres que eu atendo tem o mesmo padrão: a energia não fica pesada porque o mundo é ruim. Ela fica pesada porque elas engolem um “não” por dia durante trinta anos. Na linguagem dos chakras, isso tem endereço, e o endereço é o laríngeo, o da garganta, que é o chakra do que a gente fala e do que a gente cala.

Rafael: o que cuida do caminho

Rafael é o do remédio. Na tradição, ele é o que acompanha a viagem e o que trata a ferida, e é o arcanjo mais ligado à saúde e ao cuidado.

Aqui eu preciso ser bem honesto com você, porque essa é uma regra que eu não flexibilizo: nada disso substitui médico, remédio, terapia ou tratamento. A espiritualidade caminha ao lado do cuidado profissional, nunca no lugar dele. Quem te promete cura de doença em nome de anjo está te vendendo uma coisa que não existe.

O que o Rafael representa, no dia a dia de quem trabalha com energia, é o fechamento cuidadoso. É a parte que quase ninguém faz. A pessoa limpa, corta, tira, e aí vai dormir sem repor nada. Fica a casa varrida e vazia. O cuidado é o que entra depois da faxina.

Por que o céu desta semana combina tanto com o dia 29

Esse ano tem um detalhe que me deixou de queixo caído quando eu fui calcular. A sequência do céu, entre 26 e 29 de setembro, ensina exatamente a mesma lição dos três arcanjos, nessa ordem.

No dia 26, às 12h50, a Lua encontra Netuno. Netuno é a água. E água não tem forma própria, ela vira o vaso. Se você põe num copo, ela vira copo. Se joga no chão, vira poça. Quem é muito sensível é água sem vaso, e por isso toma o formato do ambiente em que entra.

Cinquenta e oito minutos depois, às 13h48, a Lua fica cheia em Áries. Quer dizer que a luz mais forte do mês acende bem dentro da névoa, iluminando justamente o que está sem contorno. E Áries, que é o signo do eu, fica em oposição ao Sol em Libra, que é o signo do outro. O eixo dessa Lua Cheia é literalmente eu de um lado, o outro do lado de lá.

Na madrugada do dia 27, às 4h20, a Lua encontra Saturno. Saturno é a borda. É o vaso que devolve o contorno que Netuno tinha dissolvido.

E aí, no dia 29, entra a espada. Dissolve, dá forma, corta. Nessa ordem, em quatro dias. Se você sente demais, essa é a sua semana do ano.

Dois dias antes, no 27, ainda tem Cosme e Damião, que no Brasil é dia de doçura e de cuidado com as crianças. Repara na sequência: primeiro a doçura, depois a espada. Essa também é a ordem certa dentro de um atendimento, e eu explico isso melhor mais pra frente.

O que fazer no dia 29 de setembro: um roteiro simples

Agora a parte prática, que é o que interessa. Você não precisa de altar, de vela cara nem de nada comprado. Precisa de vinte minutos e de um lugar onde ninguém te interrompa.

  1. Antes do dia, faça a lista. Papel e caneta, à mão, com uma pergunta só no alto da folha: o que eu ando carregando que não é meu? Escreve tudo que vier, sem filtrar e sem achar que é bobagem. Guarda a folha.
  2. No dia 29, de manhã, releia a lista. Risca o que já não pesa. Vai ter item que perdeu força sozinho, e ver isso escrito faz um bem enorme.
  3. Faça o gesto do Miguel. Em pé, respire fundo três vezes e diga em voz alta o que fica e o que vai. Pode ser com a sua oração de sempre, pode ser com as suas próprias palavras. Voz alta importa, porque envolve o corpo.
  4. Faça o gesto do Gabriel. Escolha uma frase que você precisa dizer para alguém e ainda não disse. Só uma. Escreva ela por extenso. Você não precisa enviar hoje, precisa parar de ensaiar na cabeça.
  5. Faça o gesto do Rafael. Reponha. Um banho demorado, um chá, uma música que te acalma, quinze minutos de silêncio. Casa varrida pede casa arrumada depois.
  6. Anote o que sentiu. Uma linha só, no fim do dia. Quem anota percebe o padrão em dois meses. Quem não anota acha que nunca acontece nada.

Faz sentido até aqui? É pouca coisa, e é justamente por ser pouca coisa que dá para fazer de verdade.

E se a minha fé não for católica?

Essa pergunta aparece todo ano, e eu adoro quando ela vem, porque ela mostra que a pessoa está sendo sincera.

Aqui em casa a gente respeita todo mundo. Tem gente que no dia 29 vai à missa. Tem gente que saúda Ogum. Tem gente que fala em mentor espiritual, em guia, em anjo da guarda. Tem gente que só fala em força de proteção e pronto. E tem gente que não fala em nada disso, apenas senta em silêncio e respira.

No meu livro eu escrevo que os nossos mentores espirituais, ou guias, ou anjos da guarda, ou o Espírito Santo, não importa como você reconhece, estão sempre disponíveis nos planos sutis. O que muda é a nossa antena. A centelha divina existe em todos nós e ela atende por muitos nomes.

Então usa o nome que faz o teu coração aquecer. O gesto é o mesmo: separar, dizer, cuidar.

Onde entra a radiestesia nisso tudo

Agora eu vou puxar para a minha praia, porque é onde eu consigo te dar método em vez de intenção solta.

A radiestesia é uma ferramenta de medição. Com o pêndulo na mão, você para de achar e começa a medir. E medir muda tudo, porque você deixa de depender do humor do dia para saber se aquilo funcionou.

Um caminho simples para o dia 29, para quem já tem mesa e gráficos em casa:

  • Meça a sua vitalidade antes de começar e anote o número num papel.
  • Coloque o seu próprio nome como testemunho. Nessa data, o trabalho é sobre você.
  • Pergunte ao pêndulo quais gráficos radiônicos usar, em que ordem e por quanto tempo. Pergunte, não decida por ele.
  • Emita com calma, sem pressa nenhuma.
  • Meça de novo e anote a diferença no caderno de registro.

E aqui vai o aviso ético que eu repito em toda aula: a radiestesia não é oráculo, a gente não faz diagnóstico, e não se entra no campo de ninguém sem autorização clara. Sobre você, sempre. Sobre outra pessoa, só com o consentimento dela. E no dia da fronteira isso vale nos dois sentidos, porque nem você entra no campo dos outros, nem os outros entram no seu.

Se você nunca pendulou na vida e ficou curiosa, comece pelo básico, com o meu guia de como usar o pêndulo.

Perguntas que sempre me fazem sobre o dia 29

Precisa jejuar ou fazer alguma coisa difícil? Não. Se a sua tradição pede, siga a sua tradição. Fora isso, o que funciona é presença e constância, não sacrifício.

Dá para fazer no dia 30, se eu esquecer? Dá. A data organiza a nossa atenção, e atenção é o que faz o trabalho acontecer. O céu não bate a porta na sua cara às 23h59.

Posso pedir por outra pessoa? Orar por alguém é um gesto de amor e sempre cabe. Trabalhar energeticamente o campo de alguém é outra coisa, e essa exige autorização. São coisas diferentes e vale não misturar.

E se eu não sentir nada? Ótimo, isso é informação também. Ou você já estava equilibrada, ou o instrumento não estava calibrado. Nenhuma das duas respostas é você fazendo errado.

A ordem que eu queria que você levasse desta semana

Se você guardar uma coisa só deste texto, guarda esta: separar, dizer, cuidar. Miguel, Gabriel, Rafael. A espada abre espaço, a palavra organiza, o cuidado sustenta.

A maioria das pessoas que chega até mim exausta está tentando tratar uma coisa que era só para devolver. E cansa, e não resolve, e a pessoa acha que o problema é ela. O problema é a ordem.

Esse assunto eu aprofundo no meu livro Seres Energéticos, justamente no trecho em que falo sobre o chakra coronário funcionando como antena e sobre por que a espiritualidade está sempre disponível, mesmo quando a gente não consegue sintonizar. Tem também um capítulo inteiro sobre as emoções que ficam guardadas no corpo astral, que é exatamente o que pesa quando você volta de um lugar carregando o que não era seu. Se quiser ler completo, o livro físico vai com frete grátis para todo o Brasil.

E se, lendo isso tudo, você sentiu aquele incômodo bom de quem percebe que nasceu para cuidar de gente, eu tenho um convite. Na Jornada Terapeuta de Elite eu passo cinco dias ao vivo mostrando o caminho de quem quer virar terapeuta e viver disso, começando pela própria cura. Não é conteúdo para acumular. É para você olhar de perto e decidir se é o seu caminho.

Que o seu 29 de setembro seja assim: leve por dentro, com a mão lavada, a palavra dita e o coração cuidado. Nos vemos por aqui.

Fonte sobre a festa litúrgica dos três arcanjos: CNBB.

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