Outubro Rosa: energia e cuidado ao lado do tratamento

Raphael Valente
Raphael ValentePublicado em · Saúde Mental
Outubro Rosa: mulher madura acolhida por outra em ambiente de luz suave

Todo ano, quando chega o Outubro Rosa, eu fico um pouco dividido. Fico feliz porque o assunto ocupa a mesa do café, a conversa do grupo da família, a camiseta da farmácia. E fico incomodado porque, junto com a informação boa, sempre aparece alguém prometendo que energia cura câncer.

Então eu vou começar este texto pelo fim, com a frase mais importante que existe aqui: nenhuma terapia energética trata câncer, e nada substitui o exame e o acompanhamento médico. Se você tem mais de 40 anos e está com a mamografia atrasada, fecha esta página, marca o exame, e volta depois. Eu espero.

Feito isso, a gente pode conversar sobre a parte que é minha: o que fazer com a alma de quem está atravessando um tratamento, e com a alma de quem caminha ao lado.

O que é o Outubro Rosa, direto ao ponto

O Outubro Rosa é uma campanha mundial de conscientização sobre o câncer de mama, criada nos anos 1990 e adotada no Brasil, onde ganhou força de calendário. A ideia por trás dela é simples e dura: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de tratamento bem-sucedido.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos, e orienta que qualquer mulher procure avaliação diante de sinais como nódulo palpável, alteração na pele da mama, mudança no formato, secreção pelo mamilo ou caroço na axila. Sociedades médicas brasileiras recomendam começar aos 40. Quem decide o seu caso é o seu médico, com a sua história na mão.

Repara que nada disso é opinião minha. É o básico bem estabelecido, e eu prefiro repetir o básico a floreá-lo.

Por que eu falo disso com propriedade

Eu escrevo sobre energia há anos, e sobre isso eu não escrevo de fora.

Em 2016 eu enfrentei um câncer. Conto essa história no meu livro, no capítulo em que falo da queda que vem antes do despertar, porque foi exatamente isso que aconteceu comigo. Não foi bonito, não foi rápido, e não teve nada de espiritual no sentido açucarado da palavra. Teve médico, teve procedimento, teve medo às três da manhã.

O que a espiritualidade fez por mim naquele período foi outra coisa, e é dela que eu consigo falar com honestidade: ela me deu onde me segurar enquanto a medicina fazia o trabalho dela. Não trocou uma coisa pela outra. Andou junto.

Por isso eu tenho pouca paciência com quem promete cura energética para doença grave. Quem faz isso nunca esteve do lado de dentro, ou não se importa com quem está.

O que a energia pode fazer, de verdade

Aqui está o recorte honesto do que eu vejo em atendimento, e que a literatura das práticas integrativas também aponta como benefício possível: qualidade de vida durante o tratamento.

Isso quer dizer, em português claro:

  • Sensação de calma antes de um exame ou de uma sessão difícil.
  • Sono um pouco melhor numa fase em que dormir vira luxo.
  • Espaço para nomear o medo, em vez de engolir ele sozinha.
  • Alguma sensação de participação, quando tudo parece estar sendo decidido por outras pessoas.
  • Acolhimento para quem cuida, que costuma ser a pessoa mais esquecida da casa.

Não é pouco. Pergunte a qualquer pessoa em tratamento se dormir melhor uma noite faz diferença. Mas repara no que não está nessa lista: cura, redução de tumor, substituição de protocolo. Nada disso.

Vale saber que o Ministério da Saúde reconhece práticas integrativas e complementares no SUS desde os anos 2000, e o Reiki entrou nessa política em 2017. A palavra que importa ali é complementares: elas caminham ao lado do tratamento, e é assim que devem ser oferecidas.

A linha que eu não cruzo, e você também não deveria

Se você é terapeuta, ou está se tornando um, esta seção vale mais que todas as outras.

  1. Não prometa cura. Nunca, em nenhuma circunstância, nem “de leve”.
  2. Não sugira interromper ou adiar tratamento. Isso não é opinião alternativa, é risco de vida.
  3. Não faça diagnóstico. A radiestesia não é oráculo e não mede doença. Perguntar ao pêndulo se alguém tem câncer é das coisas mais irresponsáveis que existem no nosso meio.
  4. Não culpe a pessoa pela doença. “Você adoeceu porque não perdoou” é uma frase cruel disfarçada de sabedoria. Ninguém escolhe adoecer.
  5. Não trabalhe o campo de ninguém sem autorização clara e informada dessa pessoa.
  6. Saiba encaminhar. Reconhecer o limite do que você faz é sinal de competência, não de fraqueza.

Eu sou chato com isso porque já vi o estrago. A pessoa em tratamento está fragilizada e disposta a acreditar em qualquer fio de esperança. Quem se aproveita disso não está ajudando.

O peso que quase ninguém nomeia: a culpa

Tem uma coisa que aparece quase sempre nos atendimentos com mulheres em tratamento, e que raramente é dita em voz alta.

A culpa.

Culpa por preocupar os filhos. Culpa por não conseguir trabalhar como antes. Culpa por precisar de ajuda. Culpa por não estar “positiva o suficiente”, porque alguém falou que pensamento positivo cura e agora, além de doente, ela se sente responsável pela própria recaída.

Eu escrevo no meu livro sobre a frequência da culpa, num capítulo em que mostro como as emoções se organizam em degraus. A culpa vibra bem embaixo, perto da vergonha, e tem uma característica cruel: ela consome energia sem produzir absolutamente nada. Não muda o passado e não ajuda no presente.

Se você está atravessando isso, eu queria que levasse uma frase: você não precisa estar bem por dentro para merecer cuidado. Pode estar com raiva, com medo, sem fé nenhuma. Continua merecendo.

O que dizer para quem acabou de receber o diagnóstico

Essa é a parte que mais gente me pergunta, e quase sempre com a mesma frase: “eu não sei o que falar, então eu sumi”.

Sumir é o pior dos caminhos. E não é maldade, é medo de errar a palavra. Então vamos tirar esse medo do caminho, porque falar mal é melhor do que não falar.

O que costuma ajudar:

  • “Eu estou aqui.” Curto, verdadeiro, e não pede resposta.
  • “Quer falar sobre isso ou prefere falar de outra coisa?” Devolve o controle para ela, que é justamente o que a doença tirou.
  • Oferecer coisa concreta. “Posso levar as crianças na quarta” vale mais que “qualquer coisa me chama”, que ninguém chama.
  • Continuar convidando. Mesmo que ela recuse dez vezes. O convite diz que ela ainda faz parte da vida normal.
  • Escutar sem consertar. Às vezes a pessoa só precisa dizer em voz alta que está com medo, sem que ninguém tente resolver.

O que costuma machucar, mesmo com a melhor intenção:

  • “Fica positiva.” Isso transforma o medo dela num problema seu e a ensina a não falar mais.
  • “Conheço uma que teve isso e…” Nenhuma história alheia serve de consolo nesse momento, e as que terminam mal são um tiro.
  • “Tudo acontece por um motivo.” Talvez, mas não cabe a nós dizer isso a quem está no meio.
  • “Você já tentou tal tratamento natural?” Isso coloca dúvida na cabeça de quem precisa de segurança.
  • “Deus dá as maiores batalhas aos melhores guerreiros.” Soa bonito na parede, pesa como culpa no ouvido de quem está fraca.

Se ficar em dúvida, vale a regra mais simples do mundo: pergunte o que ela precisa, e acredite na resposta. Inclusive quando a resposta for “não sei”.

Cuidados simples para acompanhar o tratamento

Nada aqui substitui nada. São gestos de conforto, do tipo que eu faria por alguém que eu amo.

  • Respiração longa antes do exame. Inspira em 4 tempos, segura 2, solta em 6. Três minutos na sala de espera mudam o corpo de verdade.
  • Uma pessoa de confiança por consulta. Alguém que anota o que o médico disse, porque o medo apaga a memória.
  • Um caderno para as perguntas. Elas somem na hora da consulta e voltam à noite.
  • Silêncio permitido. Não é obrigatório contar para todo mundo, nem ser exemplo de superação para ninguém.
  • Limite com o excesso de conselho. Pode responder “obrigada, eu estou seguindo o meu médico” e mudar de assunto. Quantas vezes precisar.
  • Cuidado com quem cuida. Marido, filha, irmã, amiga. Quem acompanha também precisa de descanso e de alguém para desabafar.

E se em algum momento a angústia ocupar o dia inteiro, por semanas, isso pede acompanhamento profissional em saúde mental. Faz parte do tratamento, não é frescura. O CVV atende no 188, de graça, 24 horas.

Onde a radiestesia entra, com o tamanho certo

Eu trabalho com medição. É isso que a radiestesia faz: em vez de achar, a gente mede e anota.

Num contexto de tratamento, o que eu acompanho é a vitalidade e o estado emocional, para a pessoa enxergar o próprio ciclo em vez de se perder nele. Saber que a segunda-feira depois da sessão é sempre mais pesada, e que na quinta melhora, muda a forma de organizar a semana. É informação prática, não promessa.

O trabalho é sempre sobre a própria pessoa e com o consentimento dela. Se você quer ajudar alguém querido, o caminho é perguntar se ela quer, e aceitar o não com a mesma tranquilidade com que aceitaria o sim.

Para quem quer entender a ferramenta sem mistério, eu expliquei o básico no guia de como usar o pêndulo e respondi as dúvidas de segurança no artigo sobre se a mesa radiônica faz mal.

E quem cuida? A cuidadora invisível

Tem uma figura nessa história que quase nunca recebe pergunta sobre como está: a pessoa que acompanha.

Em geral é uma mulher. Filha, irmã, mãe, amiga. É ela que dirige até o hospital, que decora o horário dos remédios, que segura o choro no corredor para não chorar no quarto. E é ela que, meses depois, aparece no meu atendimento dizendo que não consegue mais levantar da cama, sem entender por quê.

Aqui vale a mesma pergunta que eu faço sempre: isso que eu estou sentindo nasceu em mim, ou eu peguei no caminho? Quem cuida absorve o dia inteiro, e não tem para quem devolver.

Três coisas que eu peço para quem está nesse lugar:

  1. Divida a escala. Mesmo que os outros façam pior que você. Feito pior é melhor que você quebrando.
  2. Marque uma coisa que é só sua na semana. Uma hora. Não é egoísmo, é manutenção.
  3. Tenha para quem falar. Não dá para desabafar com a pessoa que está doente, e guardar tudo tem preço.

Se você é a pessoa que cuida, esse parágrafo é um pedido: cuide também de você. Não depois. Junto.

Perguntas que me fazem em outubro

Terapia energética atrapalha o tratamento? Feita com ética, não. Mas conte ao seu médico tudo o que você está fazendo, inclusive chás e suplementos. Transparência é parte do cuidado.

Posso fazer durante a quimioterapia? Isso quem responde é a sua equipe médica, caso a caso. Pergunte a eles, não a mim.

Emoção causa câncer? Não existe respaldo para essa afirmação, e ela produz culpa em gente que já carrega demais. Emoção afeta a forma como se atravessa a doença, e isso já é bastante.

E se eu não tiver fé nenhuma agora? Está tudo bem. Raiva de Deus também é uma forma de relação. Não precisa fingir serenidade para ninguém.

O que eu queria que você levasse daqui

Se este texto servir para uma coisa só, que seja para você marcar o exame, ou mandar esta página para aquela pessoa que está enrolando há dois anos.

O resto é acompanhamento. E acompanhar bem é ficar por perto sem prometer o que não se pode cumprir.

Esse assunto eu aprofundo no meu livro Seres Energéticos, principalmente no capítulo em que conto a minha própria queda, o câncer de 2016, e no capítulo sobre as emoções que ficam guardadas no corpo astral, onde falo da culpa e do medo com nome e endereço. Se quiser ler completo, o livro físico vai com frete grátis para todo o Brasil.

E se você precisa de vinte minutos de silêncio hoje, eu deixo aqui a meditação de conexão com o Eu Superior. Muita gente relata dormir melhor depois dela, e dormir melhor, nessa fase, vale ouro.

Que outubro seja rosa de verdade: com exame marcado, com médico de confiança, e com gente boa por perto. Um abraço energizado.

Fontes sobre rastreamento e sinais de alerta: INCA e Ministério da Saúde.

Continue por aqui

Newsletter do Via Energia

Receba as novidades em primeira mão quando houver conteúdo novo sobre espiritualidade, energia, terapias holísticas, meditação e o mundo energético.

Nada de spam. Você pode sair quando quiser, com um clique.