Energia negativa: como saber se ela é sua ou do outro

Você sai da casa da sua mãe exausta. Desliga o telefone com a sua filha e senta no sofá sem conseguir levantar. E não aconteceu nada com você. Nada. Se isso é familiar, então a gente precisa conversar sobre energia negativa de um jeito diferente do que você provavelmente já ouviu por aí.
Porque existe uma pergunta que muda tudo nessa hora, e ela tem sete palavras: isso que eu estou sentindo nasceu em mim, ou eu peguei no caminho?
Parece uma sutileza. Não é. É a diferença entre tratar e devolver, e a maioria das mulheres que chega até mim está fazendo a coisa errada há anos. Por isso cansa, e por isso não resolve nunca.
O que é energia negativa, sem misticismo exagerado
Vou começar tirando o peso da expressão, porque ela virou coisa de filme de terror e não é nada disso.
Quando a gente fala de energia negativa no trabalho terapêutico, não está falando de entidade, de praga nem de castigo. Está falando de resíduo. E repara na palavra, porque ela explica tudo: resíduo é o que ficou. É o resto de um problema que passou por você e deixou marca.
Eu explico isso com uma cena da sua casa. Você chega da rua e lava a mão. Você não lava a mão porque a sua mão é suja. Você lava porque a mão pegou coisa no caminho. É exatamente a mesma lógica no plano da energia.
Tem uma explicação para isso dentro do que eu ensino, e ela não é frescura. O corpo emocional, também chamado de corpo astral, é o que guarda sentimentos, emoções e memórias afetivas. Toda experiência deixa impressão nele, principalmente as que envolvem dor, medo ou ressentimento. Quando esse corpo fica sobrecarregado, aparece instabilidade, ansiedade e aquela tendência de reagir de forma intensa a coisa pequena do dia a dia.
Leia essa última parte de novo: reagir de forma intensa a situação cotidiana. É você explodindo com a louça na pia. A louça não era o problema. A louça foi a gota.
A pergunta de sete palavras
Quando bater aquele cansaço sem explicação, para tudo e se pergunta uma coisa só:
Isso que eu estou sentindo nasceu em mim, ou eu peguei no caminho?
Deixa a pergunta no ar por dois segundos antes de responder. É nesse silêncio que a ficha costuma cair.
Porque a resposta muda completamente o que você faz depois. Quando é seu, você trata. Vai na origem, olha a história, cuida da ferida, procura ajuda profissional se for o caso, faz o trabalho longo. Quando não é seu, você devolve. Limpa e segue. Leva cinco minutos.
São duas coisas completamente diferentes. E olha o tamanho do estrago quando a gente confunde: a pessoa passa meses tentando curar uma tristeza que ela pegou numa visita de domingo. Não funciona, ela se culpa, e conclui que é ela que tem alguma coisa errada.
Isso tem nome na psicologia, e não é coisa de outro mundo
Eu gosto de trazer esse ponto porque ele desarma o cético da família, e às vezes o cético da família é a própria leitora.
Existe um campo de estudo chamado contágio emocional. Os pesquisadores Elaine Hatfield, John Cacioppo e Richard Rapson publicaram um trabalho inteiro sobre isso, pela Cambridge University Press, descrevendo a tendência humana de sincronizar automaticamente expressão facial, postura, tom de voz e, no fim das contas, o próprio humor, com as pessoas com quem a gente convive.
Repara na palavra automaticamente. Ninguém decide ficar triste depois de meia hora com uma pessoa triste. Acontece antes da vontade, no nível do reflexo.
Então quando você diz “eu peguei isso da minha irmã”, você está descrevendo um fenômeno que a ciência já observou e nomeou. A leitura energética vai um passo além, mas a base da experiência é a mesma, e ela é bem documentada.
A diferença é o que a gente faz depois. A psicologia estuda o mecanismo. A radiestesia te dá uma ferramenta para medir e devolver.
Como saber se é seu ou do outro
Essa é a pergunta que mais me fazem, e eu vou dar a resposta honesta, que inclui um “no começo você não sabe”.
Mas existem dois critérios que ajudam muito: a origem e a duração.
- O que é seu tem história. Você consegue rastrear. Sabe mais ou menos de onde veio, tem uma cena associada, e não vai embora sozinho. Ele volta em ciclos, sempre pelo mesmo assunto.
- O que você pegou no caminho aparece do nada. Geralmente logo depois de uma conversa, de uma visita, de um ambiente cheio. Chega sem contexto e some quando você limpa.
Outros sinais que costumam indicar resíduo, e não dor própria:
- Você estava bem, entrou num lugar e saiu diferente, sem que nada tenha sido dito.
- O cansaço é desproporcional ao que você realmente fez no dia.
- Você sente vontade de tomar banho assim que chega em casa, quase por reflexo.
- Some depois de dormir ou depois de um banho demorado, e volta na próxima visita.
- A emoção não tem nome. Quando é sua, ela costuma ter nome e endereço.
Se você marcou três ou mais, respira. Isso não é você sendo dramática. É o seu campo pedindo uma lavada de mão.
Por que justamente você pega tanta coisa
Aqui vai um consolo que também é um alerta.
Quem mais absorve é quem mais sente. É a mulher que percebe o clima da sala antes de todo mundo, que sabe pelo tom de voz no telefone que a filha não está bem, que adivinha o problema do marido antes dele falar. Essa sensibilidade é um talento enorme, e é a mesma coisa que te deixa porosa.
Eu uso uma imagem de cozinha para explicar. Água não tem forma própria. Se você põe num copo, ela vira copo. Se joga no chão, ela vira poça. Água toma a forma do vaso em que está.
Quem é muito sensível é água sem vaso. Entra na casa da mãe e vira a casa da mãe. Entra no hospital e vira hospital. Senta na roda de amigas e sai carregando o problema de três.
E o que falta não é ficar dura. O vaso não endurece a água, ele só devolve o contorno para que ela possa ser guardada e servida. Ter borda não te torna fria. Te torna utilizável para si mesma.
A história da Amanda, que carregava o que não era dela
Eu conto esse caso no meu livro, entre os atendimentos reais que fiz ao longo desses anos. O nome é fictício, para preservar a identidade dela, mas a história aconteceu.
Amanda era a filha mais velha de cinco irmãos. Por ser a primogênita, foi colocada desde cedo na posição de cuidar dos mais novos enquanto os pais saíam para trabalhar. E ela ainda sentia uma diferença clara de tratamento em casa: aos filhos homens, o pai dava liberdade; às filhas mulheres, atribuía obrigação.
Amanda cresceu. E cresceu com uma tendência que eu vejo em quase toda mulher que chega até mim: trazer para si responsabilidades e dores que não eram necessariamente dela. Junto com isso, um desconforto enorme em pedir ou receber ajuda.
Aí veio a frustração, porque os outros nunca se preocupavam com ela do jeito que ela sempre esteve presente para todo mundo. E a frustração virou raiva. Primeiro de si mesma, pela sensação de impotência. Depois espalhada em todas as relações.
Repara no ponto que interessa aqui: o problema da Amanda nunca foi falta de amor pela família. Foi falta de fronteira. Ela não sabia onde ela terminava.
Se você leu isso e sentiu um aperto de reconhecimento, respira. Esse padrão não é defeito de caráter e não é egoísmo mal resolvido. É um hábito antigo que pode ser desfeito, e o primeiro passo é justamente aquela pergunta de sete palavras.
Existe uma escala para as emoções
Uma coisa que ajuda muito a sair do “estou mal e pronto” é entender que as emoções têm gradação.
O psiquiatra norte-americano David R. Hawkins dedicou boa parte da carreira a mapear as emoções humanas numa escala evolutiva, que ficou conhecida como Escala Hawkins. São 18 frequências, começando na vergonha, passando pela culpa, apatia, tristeza, medo, apego, raiva e orgulho, chegando na coragem, na neutralidade, na aceitação e subindo até o amor incondicional.
Eu uso essa escala nos meus atendimentos, olhando por onde as emoções passam no corpo astral. E ela ensina uma coisa muito prática: você não precisa pular da tristeza para a alegria. Esse salto não existe e tentar dar ele só gera frustração.
O caminho é degrau por degrau. Quem está na apatia, aquele estado de “tanto faz”, já faz um movimento enorme quando consegue sentir raiva, porque raiva ao menos move. E de quem sente raiva para quem reúne coragem de dar um passo, tem mais um degrau. E assim por diante.
Saber disso muda a expectativa que você coloca em si mesma. Você para de se cobrar para estar bem e passa a comemorar o degrau.
Onde isso aparece no corpo
Na leitura dos chakras, esse padrão tem dois endereços bem frequentes.
O chakra laríngeo, na garganta, é o do que a gente fala e do que a gente cala. Quem engole um “não” por dia durante trinta anos acumula ali. Aparece como pigarro, aperto, vontade de chorar sem motivo quando alguém pergunta como você está.
E o chakra frontal, entre as sobrancelhas, é o do discernimento. Quem transfere as próprias decisões para os outros, quem vive perguntando “o que você acha que eu faço?”, costuma sentir peso na testa e cansaço mental.
Se você quiser entender esse mapa inteiro, eu escrevi sobre como equilibrar os chakras em outro artigo aqui do blog.
O que fazer quando a energia negativa não é sua
Agora o prático. Nada aqui exige comprar coisa nenhuma.
- Nomeie. Diga em voz alta, sozinha mesmo: isso aqui não é meu. Parece bobo e funciona, porque envolve o corpo e tira a coisa do piloto automático.
- Lave as mãos e os braços com atenção. Água corrente, sem pressa, prestando atenção de verdade. É o gesto mais antigo de fronteira que existe.
- Troque de roupa ao chegar. Simples assim. O corpo entende o sinal de que aquele ambiente ficou lá fora.
- Escolha um “não” por semana. Um só, pequeno. Só para a sua garganta lembrar que sabe fazer isso.
- Reponha depois de limpar. Chá, música, quinze minutos de silêncio, um banho demorado. Casa varrida e vazia não serve, precisa arrumar depois.
- Anote uma linha por dia. Quem anota enxerga o padrão em dois meses. Quem não anota acha que nunca acontece nada.
E o mais importante de todos: observe antes de reagir. Boa parte do que a gente chama de energia negativa some sozinha quando a pessoa para de alimentar com atenção.
Onde a radiestesia entra
Tudo o que eu disse até aqui funciona por observação. E observação tem um limite, que é depender do seu humor do dia.
É por isso que eu trabalho com radiestesia. Com o pêndulo na mão você para de achar e começa a medir. Você tem um número antes e um número depois, anotados no caderno, e não precisa mais confiar na memória nem no dia bom.
O caminho que eu ensino, resumido:
- Meça a sua vitalidade e anote o número num papel.
- Coloque o seu próprio nome como testemunho, porque o trabalho começa em você.
- Pergunte ao pêndulo quais gráficos radiônicos usar, em que ordem e por quanto tempo. Pergunte, não decida por ele.
- Emita com calma e intenção.
- Meça de novo, anote a diferença.
Tem um gráfico específico que é o queridinho para esse assunto, e é o que mais gente tem em casa sem usar: o Desimpregnador, que muita gente chama de gráfico das flechas. Ele trabalha exatamente o resíduo, aquilo que ficou grudado e não nasceu em você.
E aqui vai o aviso ético que eu repito em toda aula, sem flexibilizar: a radiestesia não é oráculo, a gente não faz diagnóstico, e não se entra no campo de ninguém sem autorização clara e informada. Sobre você, sempre. Sobre outra pessoa, só com o consentimento dela, e não vale aquele “ah, ela não ia se importar”, porque isso é suposição, não consentimento.
Se você nunca segurou um pêndulo, comece pelo começo com o guia de como usar o pêndulo.
Uma linha que eu preciso deixar bem clara
Existe um ponto em que essa conversa muda de assunto, e eu não vou fingir que não.
Tristeza que não passa, vontade de sumir, angústia que ocupa o dia inteiro durante semanas: isso pede acompanhamento profissional, não limpeza energética. A radiestesia caminha ao lado do cuidado clínico, nunca no lugar dele. Ela ajuda a equilibrar, e ela não trata doença.
Se você ou alguém que você ama estiver passando por sofrimento intenso, o CVV atende no 188, de graça, 24 horas por dia, e também pelo site cvv.org.br. Procurar ajuda não é fraqueza, é a coisa mais lúcida que existe.
Perguntas que sempre chegam
Dá para pegar energia negativa pelo telefone? Presença física não é obrigatória para você se envolver emocionalmente com alguém. Se você desliga uma ligação exausta, houve envolvimento. Vale o mesmo cuidado.
Posso limpar a energia da minha mãe, do meu marido, do meu filho? Sobre você, sempre. Sobre outra pessoa, só com autorização clara. Orar por alguém é diferente e sempre cabe.
Preciso de sal grosso, arruda, essas coisas? Se a sua tradição usa e te faz bem, use com carinho. Mas o que muda o jogo é a constância, não o ingrediente.
E se eu não sentir diferença? É informação também. Ou você já estava equilibrada, ou o instrumento não estava calibrado. Nenhuma das duas respostas é você fazendo errado.
A ordem que resolve
Se você levar uma coisa só deste texto, que seja esta: primeiro descobre de quem é, depois decide o que fazer.
O que é seu, você trata. O que não é seu, você devolve. E eu sei que parece pouco, mas eu já vi essa pergunta de sete palavras devolver a vida de muita gente que estava exausta de lutar contra uma coisa que sequer era dela.
Esse assunto eu aprofundo no meu livro Seres Energéticos, num capítulo inteiro sobre as emoções que ficam guardadas no corpo astral e em outro sobre os sete corpos sutis, que é onde eu mostro por que cada experiência deixa registro em um lugar diferente. Falo também da radiestesia de um jeito bem desmistificado, para quem acha que isso é coisa de outro mundo. Se quiser ler completo, o livro físico vai com frete grátis para todo o Brasil.
E se, lendo isso, você percebeu que já faz esse trabalho pelos outros a vida inteira sem método nenhum, talvez seja hora de aprender a fazer direito. Na Jornada Terapeuta de Elite eu passo cinco dias ao vivo mostrando o caminho de quem quer virar terapeuta, começando pela própria cura. Dá uma olhada e veja se faz sentido pra você.
Que a próxima vez que bater aquele cansaço sem explicação, você se lembre da pergunta. Sete palavras. Elas mudam o resto.


